Uso da IA na distribuição pet/vet: o que temos que implementar?

Empresas do setor precisam se organizar para poderem usar esta tecnologia sem frustações

Foto: Imagem de rawpixel.com no Freepik

O mundo corporativo não fala de outra coisa: a Inteligência Artificial (IA) deve ser aplicada nos negócios. E o segmento de distribuição pet e vet não está a salvo das recentes mudanças vivenciadas pelas empresas do mundo todo. Porém, resta a pergunta: como e quais tecnologias podemos aproveitar no setor? Segundo Anderson Ozawa, CEO da AOzawa Consultoria, na prática, a principal contribuição da IA na distribuição pet/vet está em reduzir erro operacional e antecipar problemas que antes só apareciam quando o prejuízo já estava dado. “O setor cresce, mas ainda enfrenta um desafio claro: muitos projetos travam porque tentam aplicar IA sobre dados ruins e processos desorganizados. Quando isso acontece, a tecnologia não entrega o prometido e a frustração aparece”, acrescenta o CEO, que continua: “quem aplica IA com foco em operação, estoque, validade e margem passa a: reduzir perdas silenciosas, melhorar nível de serviço, proteger resultado, crescer com mais controle. Quem continuar tratando IA como tema teórico ou projeto isolado tende a pagar mais caro pela ineficiência, em um mercado que já não absorve desperdício”.
Para Hailton Santos, diretor comercial da Sesami, a IA está ajudando distribuidores no setor pet/vet a reduzir tarefas repetitivas, melhorar precisão nas previsões de demanda, acelerar processamento de pedidos e otimizar logística, gerando redução de custos, melhorando o tempo de entrega e liberando as equipes para focarem em tarefas estratégicas. “Existem tecnologias de IA bem definidas que já ajudam distribuidores pet/vet em previsão de demanda, logística inteligente, automação de estoque, atendimento ao cliente e análise de dados. Esse uso tende a crescer ainda mais à medida que o setor investe em digitalização e eficiência operacional. O setor tem crescido rapidamente com o uso delas, seguindo uma tendência de adoção de IA em cadeias de suprimentos em geral que está aumentando ano a ano”, acrescenta. Ainda segundo Hailton, um distribuidor precisa ter sistemas integrados de vendas, estoque e logística e usar a IA para prever demanda e automatizar compras evitando rupturas e excesso de estoque. “Oferecer canais digitais de pedidos e atendimento, agilizando vendas e melhorando a experiência do cliente. E tomar decisões baseadas em dados em tempo real, e não apenas no feeling, garante competitividade. Quem implementar novas tecnologias de IA agora, abre uma vantagem difícil de alcançar depois”, garante.

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“O setor cresce, mas ainda enfrenta um desafio claro: muitos projetos travam porque tentam aplicar IA sobre dados ruins e processos desorganizados” diz Anderson Ozawa, da AOzawa Consultoria

Thiago Artacho, CEO da Green Tech Solutions, aponta que a inteligência artificial tem atuado como um grande acelerador de eficiência no setor de distribuição. “Ela permite automatizar tarefas operacionais, reduzir retrabalho e transformar grandes volumes de dados em decisões práticas. Na prática, a IA ajuda distribuidores a prever demandas, otimizar estoques, melhorar rotas logísticas, identificar perdas e aumentar a produtividade das equipes. Além disso, soluções baseadas em IA oferecem análises em tempo real, o que agiliza processos e permite respostas mais rápidas em um setor que depende muito de agilidade e precisão”, enfatiza.

RESISTÊNCIA À IA
Anderson acredita que a resistência no uso de IA ainda existe, mas raramente é tecnológica, pois nasce de quatro pontos muito claros:
Medo de expor ineficiências: a IA deixa visível onde o processo falha;
Cultura de decisão por experiência: como sempre foi feito, sem apoio de dados;
Visão de curto prazo: tratando IA como custo e não como proteção de margem;
Receio sobre impacto nas equipes: quando o efeito real é melhorar a alocação e reduzir retrabalho. “Na prática, a IA não substitui profissionais experientes e sim, tira dessas pessoas o trabalho repetitivo e permite foco no que realmente gera valor. Na distribuição pet/vet, Inteligência Artificial não é futuro distante, é ferramenta de sobrevivência competitiva”, afirma Anderson.
Hailton concorda que ainda existe resistência, principalmente por fatores culturais e estruturais, no uso da IA. E os principais motivos são:
Cultura tradicional: distribuidores que cresceram com decisões centralizadas nos donos;
Percepção de custo alto: tecnologia e IA ainda são vistas como gasto, não como investimento com retorno claro;
Falta de dados organizados: sem ERP ou histórico confiável, a implementação parece complexa;
Medo de mudança: receio de quebrar processos que “sempre funcionaram” e de dependência de tecnologia.
Thiago também concorda e diz que a resistência se concentra, principalmente, em empresas mais tradicionais. “Os principais motivos são o receio de altos investimentos, a falta de conhecimento sobre os benefícios reais da tecnologia, o medo de mudanças nos processos e a preocupação com a adaptação das equipes. No entanto, essa resistência vem diminuindo à medida que os resultados se tornam mais visíveis e acessíveis. Hoje, muitas soluções são escaláveis, utilizam a infraestrutura existente e geram retorno rápido, o que tem ajudado a quebrar barreiras e acelerara adoção no setor”, opina.

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“Quem implementar novas tecnologias de IA agora, abre uma vantagem difícil
de alcançar depois” diz Hailton Santos, da Sesami

IA NA PRÁTICA
Segundo Thiago, existem diversas tecnologias com inteligência artificial já aplicadas a serviços essenciais da distribuição. “Hoje vemos IA sendo utilizada em previsão de demanda, gestão inteligente de estoques, monitoramento de operações, prevenção de perdas, análise de comportamento, automação de processos e suporte à tomada de decisão. Esse mercado vem crescendo de forma acelerada, impulsionado pela necessidade de eficiência, controle de custos e competitividade. O setor atacadista distribuidor está, cada vez mais, adotando essas soluções para ganhar escala, reduzir riscos e operar de forma mais estratégica”, diz. Ainda segundo ele, o primeiro passo é investir em tecnologia integrada e orientada por dados. “O distribuidor precisa ter sistemas que conversem entre si, tragam visibilidade da operação em tempo real e apoiem decisões estratégicas. Também é fundamental adotar soluções com inteligência artificial, automação e análise de dados, além de investir em capacitação das equipes para uso correto dessas ferramentas. Quem não avança nessa direção corre o risco de perder eficiência, margem e relevância em um mercado cada vez mais competitivo”, alerta.
Já Anderson, lista algumas aplicações de IA na distribuição, que otimizam tarefas e agilizar processos:
Previsão de demanda por SKU e cliente: em vez de repor ração premium ou medicamentos veterinários com base apenas no histórico bruto, a IA cruza sazonalidade, comportamento de compra por clínica/pet shop e campanhas comerciais. Isso reduz tanto ruptura em itens críticos quanto excesso de estoque com risco de vencimento.
• Gestão de validade e giro: sistemas com IA conseguem sinalizar produtos que ainda têm giro, mas cuja validade começa a entrar em zona de risco. Isso permite ações simples e eficazes, como redirecionamento de estoque, ajuste de prioridade comercial ou campanhas pontuais, antes que o produto vire perda.
Otimização logística: na distribuição pet, o custo logístico pesa. A IA ajuda a reorganizar rotas considerando frequência de pedidos, janela de entrega e perfil de cliente, reduzindo reentregas, atrasos e custo por pedido.
Tratamento de exceções administrativas: pedidos fora do padrão, erros de faturamento, divergências de separação e conferência deixam de ser tratados apenas de forma reativa. A IA ajuda a identificar padrões de erro e atacar a causa, não só o sintoma.
Anderson acrescenta que hoje já existem soluções com IA aplicadas diretamente à rotina da distribuição, especialmente em:
Planejamento de estoque inteligente: priorizando itens de alto giro, alta margem ou validade crítica;
Análise de margem por cliente: mostrando claramente quais clientes consomem serviço, logística e desconto acima do que retornam em resultado;
• Detecção de anomalias: pedidos fora do comportamento normal, divergências recorrentes de estoque ou falhas repetidas em determinados processos;
Planejamento de cross-docking: reduzindo tempo de armazenagem de produtos sensíveis;
Análise de comportamento de compra: ajudando o time comercial a atuar com mais precisão e menos tentativa e erro.

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“Soluções baseadas em IA oferecem análises em tempo real, o que agiliza processos e permite respostas mais
rápidas em um setor que depende muito de agilidade e precisão” diz Thiago Artacho, da Green Tech Solutions

NÃO FIQUE PARA TRÁS
Anderson alerta que os distribuidores que estão conseguindo extrair valor real da IA não começam pela ferramenta, começam pelo básico bem-feito:
1. Cadastro e dados confiáveis: produto mal cadastrado, validade mal registrada ou histórico distorcido inviabilizam qualquer inteligência. IA não corrige isso, ela apresenta de forma clara e distinta.
2. Processos claros no CD e na operação: separação, conferência, armazenagem, faturamento e expedição precisam ter padrão. Onde há improviso, a IA não sustenta resultado.
3. Uso da IA para decisão prática: estoque, margem, logística e priorização comercial. Se a IA não ajuda a decidir melhor nesses pontos, ela vira só mais um painel.
“Distribuidores que entenderam isso usam IA para perder menos, errar menos e atender melhor, não para impressionar”, finaliza Anderson.

Por Samia Malas

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