Exportação: sua empresa pode alçar novos voos com ela!
Investimento em exportação proporciona novos horizontes para a indústria pet brasileira, que tem ganhado espaço no mercado internacional

Apesar das dificuldades no mercado interno e um contexto mundial conflituoso marcado por uma guerra comercial entre Estados Unidos e China, o setor pet brasileiro tem obtido sucesso no setor de exportações.“
A projeção do setor para 2025 é otimista, mas considera-se que será impactada pelo contexto econômico e geopolítico mundial, que afetou o comércio internacional em todos os setores produtivos ao longo deste ano”, opina Giovanna Nunes, médica-veterinária com mestrado em Ciências e MBA em Gestão de Projetos Inovadores que, desde 2018, trabalha exclusivamente com foco em desenvolvimento de mercados internacionais e exportação através da Barkz, empresa fundada por ela e que se dedicada a proporcionar suporte abrangente às indústrias de produtos para pets que buscam expandir suas vendas para mercados internacionais.
Com experiência em mais de 60 feiras e conferências internacionais do mercado pet, Luiz Paulo Almeida é CEO e fundador da Commpazz International, especializada em representação, distribuição e suporte para empresas que buscam mercados internacionais. Para ele, as palavras do momento são oportunidade e aliança.“
Em um cenário tão volátil do mercado mundial, todos os países estão atentos às novas oportunidades que estão surgindo. Diferentemente de outros períodos, em que os fornecedores estavam consolidados e as compras eram direcionadas de forma quase que automática, os novos ajustes do mercado mundial pedem aos compradores atenção para novos fornecedores e produtos. É aí que a palavra oportunidade aparece”, aponta Luiz.

“O Brasil tem vantagem na produção de alimentos para pets porque é um grande produtor de
matérias-primas que servem de base para a fabricação desses produtos” diz Giovanna Nunes, da Barkz
Ainda segundo ele, o Brasil vem consolidando cada vez mais sua imagem internacional como fornecedor de produtos pet e, consequentemente, chamando a atenção de novos compradores de países que antes não estavam olhando para nós como fornecedores. “Essa nova onda pede também uma atenção especial aos exportadores. É importante marcar esse novo momento e cliente com um atendimento profissional e entregar mais do que apenas produtos, mas também com uma atenção especial no pós-venda. Dessa forma, a palavra aliança é primordial para quem busca um projeto de exportações de longo prazo e que solidifique suas posições no mercado internacional”, descreve Luiz, que estará presente na rodada de negócios voltada para a exportação que será realizada na feira SuperPet 2026, entre 14 e 16 de abril em Campinas-SP: a SuperPet Américas.“
Em um mundo cada vez mais conectado e rápido, é difícil dedicarmos tempo e logística para estarmos presentes em todos os países em um curto período. As rodadas e eventos internacionais têm justamente auxiliado com essa dificuldade, trazendo diversos compradores de diferentes países. Participar de uma rodada de negócios internacional é uma grande oportunidade de apresentação física e de impacto com o comprador, além de uma ótima chance de aprendizado direto com a cultura e demandas daquele mercado”, afirma Luiz. José Loschi, fundador da SRX Holdings, uma holding de investimentos especializada em aquisições estratégicas e reestruturação de empresas com potencial subexplorado, aponta que, com gestão estruturada, personalização das fórmulas, inovação tecnológica e controle rigoroso de processos, o Brasil tem mostrado que pode competir em qualquer mercado, combinando ciência, eficiência e estratégia. “O segredo está em adaptar o produto, o processo e o modelo de negócio. É isso que sustenta o crescimento e abre portas para novas parcerias internacionais”, explica Loschi.
Ainda segundo ele, como cada país tem regras, demandas e níveis de exigências próprias, é preciso adaptação. “E a diversidade de normas sanitárias e ambientais é um dos maiores entraves à exportação. Cada país exige comprovações específicas de origem, composição e impacto ambiental que podem mudar de um ano para outro, sendo preciso um acompanhamento contínuo das legislações e profundo conhecimento sobre as certificadoras e os órgãos internacionais.“ Cumprir a legislação não é só uma obrigação, é uma forma de mostrar comprometimento com qualidade e transparência. A conformidade abre portas e consolida a imagem do Brasil como fornecedor confiável”, garante Loschi.

“Participar de uma rodada de negócios internacional é uma grande oportunidade de apresentação física e de impacto
com o comprador, além de uma ótima chance de aprendizado direto com a cultura e demandas daquele mercado”
diz Luiz Paulo Almeida, da Commpazz
PRODUTOS EXPORTADOS
Segundo Giovanna, o pet food lidera o ranking das exportações do setor pet, porém, o setor de pet care vem despontando na procura dos clientes internacionais. “Em especial com a demanda crescente por produtos como tapetes higiênicos para cães e areias e granulados sanitários para gatos”, ilustra Giovanna. Ainda segundo a consultora, dentro do segmento de pet food, os alimentos completos são os mais buscados. “O Brasil tem vantagem na produção de alimentos para pets porque é um grande produtor de matérias-primas que servem de base para fabricação desses produtos. Outros fatores que tornamos produtos brasileiros competitivos incluem o bom custo-benefício, tecnologias de produção modernas e eficientes, investimentos em pesquisa e desenvolvimento e, algo que tem sido cada vez mais valorizado, a produção sustentável”, explica. Luiz aponta que a indústria pet brasileira consegue atingir o mercado internacional em diversos setores, seja pet food, pet care, acessórios e até em serviços. “Por se tratar de um mercado tão grande e com tantos diferenciais culturais, é normal perceber que a criatividade do nosso povo possa entregar produtos cada vez mais interessantes e funcionais. Hoje podemos destacar, principalmente, o setor de alimentos e higiene e beleza como os principais produtos procurados por nossos clientes internacionais. Porém, com a marca Brasil, é nítido o interesse estrangeiro por produtos com olhar mais sustentável e que entreguem características típicas do país”, explica. Já Loschi aponta que exportar o mesmo produto para diferentes países é um erro comum. “As condições genéticas, climáticas e de manejo variam amplamente, e o desempenho da nutrição animal depende dessas especificidades. A solução é fazer formulações personalizadas e adaptação técnica de cada produto, respeitando as realidades produtivas de cada região. Quando ajustamos a nutrição ao metabolismo e ao ambiente local, entregamos mais eficiência e valor agregado. A personalização é o que diferencia o produto brasileiro lá fora”, destaca Loschi.

“A exportação exige governança, padronização e controle. Quando a gestão é sólida, conseguimos
responder rapidamente a auditorias, adequar processos e garanti r a confiança do
importador” diz José Loschi, da SRX Holdings
MERCADOS
Dentre os principais importadores de produtos pet brasileiros de 2024 estão Colômbia, Uruguai, Emirados Árabes, Bolívia e Chile. “Colômbia e Uruguai são atualmente os dois principais importadores de produtos pet brasileiros. Já os mercados ascendentes são os do Oriente Médio, com destaque para Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita. Os números no setor pet nesses dois países são impulsionados pela urbanização, pelo aumento da renda disponível e por mudanças nas normas sociais, que fazem com que os animais de estimação sejam cada vez mais vistos como membros da família. Embora os gatos continuem historicamente mais numerosos por razões culturais e religiosas e que a janela de oportunidade para exportação de produtos destinados aos felinos seja mais ampla, há um aumento notável na população de cães domiciliados e uma crescente aceitação desta espécie como pet no Oriente Médio”, destaca Giovanna.
Já Luiz comenta que a força da exportação pet brasileira depende muito do setor do produto e país alvo. “Para os Estados Unidos temos uma grande relevância para produtos de body parts naturais e areia de fonte vegetal. Já para a América Latina e África, também atendemos muito bem com o setor de higiene, beleza e acessórios em geral. Em termos de volume não podemos comparar o poder de compra dos EUA com outro país específico, porém se levarmos em conta uma região, a América Latina com certeza é um grande parceiro comercial nosso. Já os mercados em ascensão, acho importante analisar países da Europa e Ásia, que cada vez mais buscam diversificar seus fornecedores e hoje encaram os produtos brasileiros com um olhar mais profissional”, destaca.
Loschi destaca que os mercados internacionais, especialmente os mais exigentes, valorizam rastreabilidade, sustentabilidade e inovação contínua. A ausência de integração tecnológica limita a visibilidade da cadeia e reduz a competitividade. Para driblar isso, o consultor aponta que é preciso investimento em tecnologia de dados e monitoramento nutricional para atender exigências cada vez mais rigorosas e antecipar tendências. “A tecnologia é o elo que conecta pesquisa, formulação e eficiência. Ela garante que o produto brasileiro atenda aos padrões globais e ainda mantenha o diferencial de custo e qualidade”, afirma.
COMO SABER SE É HORADE EXPORTAR?
Giovanna aponta que nenhuma empresa tem a resposta exata para essa pergunta, cuja resposta envolve a análise de diversos aspectos. “Antes de pensar em exportar, cada empresa precisa analisar o próprio contexto e o momento de seu negócio no mercado nacional. Dois gatilhos importantes são:
1. A empresa sentir a necessidade de diversificação dos mercados de atuação, diminuindo, assim, a dependência exclusiva do mercado brasileiro e os riscos associados a esse cenário;
2. Necessidade de diminuir a carga tributária, já que não incidem ou há imunidade de alguns impostos sobre os produtos destinados ao exterior”, opina.
Assim como iniciar um negócio no Brasil demanda planejamento, estratégia e foco, Luiz diz que a exportação exige as mesmas demandas. “Para iniciar um projeto é primordial buscar informações técnicas dos mercados alvos e analisar o posicionamento de seu produto ou marca no País. Dessa forma, não existe uma ‘hora certa’, mas sim, um projeto bem planejado e a estratégia bem coordenada para atingir novos países”, diz.
DICAS DE OURO
Giovanna compartilha que muitos projetos não são exitosos porque a empresa: “não avalia de forma honesta sua capacidade e/ou maturidade exportadora; não está aberta a fazer as adaptações necessárias para atender às particularidades e exigências de cada mercado onde pretende atuar e insiste em replicar o modo como atuam no Brasil; não desenvolve internamente uma cultura exportadora, integrando os diferentes departamentos em prol da venda internacional de produtos; e, por fim, outro erro frequente é esperar resultados rápidos e ganhos sem realizar os investimentos considerados adequados.”
Luiz destaca um ponto importantíssimo para qualquer projeto: é preciso saber se apresentar. “Se seu produto e marca é baseada apenas em uma comunicação e apresentação via e-mail ou catálogo digital, sua relevância é mínima no cenário internacional, consequentemente sua competitividade será igual. É importante analisar seu projeto através da ótica do comprador e não apenas pelo sonho do exportador”, afirma. Luiz também acredita que seja importante estar atento a tudo que acontece no mundo, porém não se deve depender de cenários perfeitos para começar ou acelerar a exportação. “Digo a todas as nossas empresas parceiras que: exportação é um projeto para a vida toda da empresa, não apenas um salto curto. Com essa mentalidade, minha maior recomendação é focar nos seus planos e sempre acreditar nas oportunidades que cada país oferece. Diferentemente de uma venda nacional que depende estritamente da política e economia brasileira, a exportação abre uma porta para diversas oportunidades ao mesmo tempo. Independente de como um país ou outro está, você sempre terá uma nova oportunidade em novos mercados-alvo se estiver focado em um plano de longo prazo”, ressalta. Ainda segundo ele, para iniciar um projeto de exportação, o principal é a vontade dos envolvidos no projeto dentro da empresa estarem de acordo com esse novo passo. “Qualquer projeto bem planejado pode acabar no início se a visão e vontade de longo prazo não estiverem presentes. Então, o primeiro passo seria a decisão de abraçar esse novo voo e, então, organizar a casa. Nesse segundo momento recomendamos a participação e entendimento de toda a empresa a respeito das demandas e detalhes para atender o mercado internacional. Isso feito, aí então a empresa pode iniciar a escolha de seus países-alvo e o desenho das estratégias para atingir tais países”, explica.
Gestão e estruturação são os primeiros passos para a internacionalização, diz Loschi. “Assim, entrar em novos mercados sem uma base sólida de gestão e processos pode comprometer a operação. É preciso estruturar a empresa de forma que todos os elos — da produção ao embarque — estejam integrados. A exportação exige governança, padronização e controle. Quando a gestão é sólida, conseguimos responder rapidamente a auditorias, adequar processos e garantira confiança do importador”, finaliza.
Por Samia Malas



