Groomer: profissão perigo!
Alguns profissionais compartilham conosco suas experiências

Ser groomer não é sempre fácil. Por mais que a profissão tenha o seu lado glamuroso, trabalhar em um banho e tosa nem sempre são rosas. A seguir, alguns groomers compartilharam conosco experiências negativas que já tiveram em suas carreiras. Confira!

Camilla Caetano, da Art Groomer, Campinas, SP, e a Poodle Gota, que deu um baita susto na groomer
ONDE ESTÁ A GOTA?
“Situações bizarras é o que não faltam em meus 21 anos de carreira”, se diverte Camilla Caetano, de Campinas, SP, proprietária da escola e banho tosa Art Groomer, que compartilha o dia em que a Gota, um cão de uma cliente, sumiu. “Neste dia eu quase morri”, relembra.
Gota, que faleceu no início deste ano aos 19 anos, era uma cliente fiel, que vinha tomar banho toda quinta-feira. Esta história aconteceu há 5 anos. “Ou seja, ela já era uma senhora e, por isso, já tinha suas manias e, claro, que sedíamos à todas elas. Como ela não gostava de ir para o canil, não se sentia bem, então ela ficava no meu escritório. Tínhamos que estender uma toalha no chão, e, na maioria das vezes, uma outra para cobrir ela, pois ela tremia incessantemente senão fizessemos o ritual de costume”, conta Camila. Gota chegava às 9h00 e a dona a buscava às 17h00 (toda quinta é era a mesma coisa). Porém, um dia, às 17h00, como de costume, o marido da cliente veio buscar a Gota, mas ela não estava mais no escritório. “Eu não estava na loja, e quando estava chegando na empresa vejo duas funcionárias pulando, fazendo gestos, acenando para chamar minha atenção. Parei o carro e decidi entrar na empresa para entender do que se tratava. E nisso, o cliente estava aguardando na recepção para que pegássemos o cão”, revela. Quando Camilla entrou na escola, cumprimentou o cliente e foi falar com as meninas, e elas disseram: “a Gota sumiu. Procuramos em toda parte e ela não está aqui”. Assim, Camilla correu para olhar as câmeras de segurança, mas não conseguiram ver nada, pois bem naquele dia a distribuidora havia empilhado caixas de produtos no escritório que taparam as câmeras. Para ganhar tempo com o cliente, e já sem saber o que fazer, Camilla disse ao cliente que o César, seu marido e sócio, tinha levado a Gota por engano na casa de outro cliente, mas que ele já ia buscá-la. “Porém, o César tinha saído para cortar o cabelo de moto e não atendia o telefone por nada. O cliente disse que ia sair para abastecer o carro e já voltava. Enquanto isso, nada de eu conseguir contato com o César. Enfim, o cliente volta para a escola. Quando o vi, ia contar a verdade, que Gota tinha sumido. Porém, ele já entrou falando que a Gota estava em casa já, que o César já a tinha levado. Quase morri neste dia (risos). Logo após chega o César todo se achando com o cabelo cortado sem saber de nada, e eu até com ânsia de vômito de nervoso e ele fala: ‘eu entreguei para a dona meio-dia porque ela veio buscar, só não guardei a ficha dela para não atrasar no cabeleireiro. Esta história quase deu em divórcio (risos) de tanto nervoso que eu passei procurando um cão que, na verdade, não estava perdido”, conta Camilla.

Rafael Conessa, de Jaú, SP, que compartilha sua experiência com Ônix, um Poodle Médio bravo demais
ÔNIX: O TERROR DE DOIS CÓRREGOS
Rafael Conessa, de Jaú, SP, compartilha conosco uma história que aconteceu quando ele começou a trabalhar em Dois Córregos, SP, e teve que refazer a clientela que se dissolveu para outros pets shops, pois a clínica que ele trabalhava, chamada Centauro, tinha ficado um tempinho sem tosador. “Certo dia (no ano 2002), tinha um Poodle Médio chamado Ônix, que frequentava outra clínica na qual ele tomava anestesia toda vez que ia para o banho, e a veterinária não queria mais correr este risco e optou por não o atender mais. Até bombeiro já teve que ir buscar ele na clínica, pois ninguém conseguia pegar o bichão: Ônix o terror de Dois Córregos”, conta Rafael. Porém, alguém indicou o trabalho de Rafael para a tutora do cão, a Thais, que marcou horário para o Poodle na clínica. No entanto, a mãe da cliente, a Dona Iara, passou lá querendo desmarcar, pois disse que seria impossível eu fazer o cão. “Vou lhes confessar, Ônix era um bichão. Só de olhar para ele já dava medo, mas na hora que ela falou que eu não daria conta de fazê-lo, senti uma energia no corpo parecendo um super sayajin do desenho Dragon Ball (risos). Nesse momento pedi a coleira para a tutora, levei o cão para o canto da clínica e, sem hesitar, puxei a coleira pouco para cima e peguei o bichão no colo. Me lembro como se fosse hoje a cliente fazendo o Sinal da Cruz com a mão esquerda e dizendo:‘ menino, você é louco’. Entrei para a sala de tosa e pedi para a tutora me acompanhar e colocar a focinheira nele. Sem mais delongas fomos conversando e comecei a tosar ele. Ônix foi relaxando, me deixando tosá-lo e até se deitou, estava submisso”, relembra o groomer, que aconselhou a tutora de trazer o animal de estimação com frequência, e ela o fez, pelas próximas semanas. Ônix viveu 17 anos e até o seu último dia de vida, ele honrou sua “braveza”, mas suas últimas tosas, Rafael conseguiu fazê-las sem focinheira. “Com esta experiência aprendi que mesmo sendo bravos e traumatizados, devemos ter calma com os cães e cuidar com muito carinho que eles vão se adaptando e criamos um vínculo com eles”, finaliza o groomer.

Dam Nogueira, dono do Pet Private banho e tosa, de Campinas, SP, compartilhou duas histórias com a gente
POODLE FUJÃO E FUGA DE ASSALTO
Quando Dam Nogueira, dono do Pet Private banho e tosa, de Campinas, SP, compartilhou duas histórias com a gente. Uma era de quando estava no início da sua carreira, tinha uns 2 ou 3 anos de banho e tosa, e trabalhava com a prima dele. Esta história aconteceu em um dia de muito calor: “a gente trabalhava em uma garagem, em que montávamos o banho e tosa de dia. Tinha uma porta de vidro que estava sempre fechada nesta garagem, mas como estava muito quente naquele dia, deixamos a porta entreaberta para não passar muito calor. Mas quando abri a porta e fui fazer um Poodle (que era a primeira vez que pagava nele), que estava com bastante nó, ele ficou em estado de alerta. Hoje eu sei os cuidados que deveria ter tido na época, mas eu não sabia. O cão tentou me morder e fugiu. Saímos correndo atrás do cão. E tinha uma favela perto, e a gente desceu a rua de lá correndo uns 2 km e foi parar na casa de um casal. Eu bati palma e chamei a moça. Perguntei se ela tinha visto um cão no quintal dela, e expliquei que ele tinha fugido. Ela entrou e perguntou para o marido se poderiamos entrar e ele acabou deixando. Pedimos uma corda para a moça para prender o cão e levá-lo embora. Ainda bem que conseguimos recuperar o cão e a história acabou bem, mas fica aqui o alerta para os groomers que estão em início de carreira, como eu estava, o perigo que é ter uma porta ou janela aberta enquanto estamos com um animal, especialmente quando ele dá sinais de que está assustado ou desconfortável. No meu banho e tosa hoje, eu tenho um portão principal e ainda outras duas portas para evitar fugas”.
Outra história de quando Dam ainda trabalhava com sua prima, aconteceu um dia em que o salão de beleza ao lado foi assaltado. O salão era do primo de Dam que, ao perceber que ia ser roubado, correu para o banho e tosa. “Eu estava tosando uma Cocker e quando meu primo entrou no banho e tosa apavorado, todos corremos para uma Casa de Ração que tinha na esquina. Quando percebi, eu estava com a Cocker no meu colo na Casa de Ração, que pesava uns 10 kg, e nem percebi que sai correndo com ela”, finaliza.

Richard Nascimento dos Santos, instrutor do Belas Patas, compartilha um erro que cometeu, mas acabou convertendo a situação
CACHORRO ERRADO, NA CASA ERRADA
Richard Nascimento dos Santos, de São Bernardo do Campo-SP, é groomer desde 2014, e é instrutor na Belas Patas, em Tatuapé. Ele compartilha conosco uma passagem que aconteceu certa vez que agendou um cão que era SRD preto para o banho e tosa e, quando foi buscá-lo, confundiu o número da casa que, coincidentemente, também tinha um SRD preto. “Quando eu chamei na porta uma senhora me atendeu e eu disse: ‘Oi, vim buscar seu bebê para banho e tosa.’ A senhora me olhou com estranheza e me disse: ‘Mas a minha filha não me avisou que viriam buscar para banho. Geralmente ela marca e me avisa’”. Porém, Richard levou o pet mesmo assim. Chegando no pet shop, a dona do SRD preto que ele deveria ter pegado, ligou e perguntou se eu iria demorar muito para buscá-lo. “Informei a ela que já tinha pegado o cachorro dela, sem me dar conta de que estava com o cachorro errado. Quando fui conferir o endereço da casa, percebi o que eu tinha feito! Peguei o cachorro errado, na casa errada. No mesmo instante fui buscar o cachorro certo”. Conclusão da história: Richard finalizou o dia fazendo os dois cães e quando foi entregar o cachorro que buscou por engano, se desculpou com a senhora e explicou o que havia acontecido. “Mesmo após o mal-entendido a mulher amou o banho e tosa e acabou virando minha cliente”, finaliza.

Renato Leiva fala sobre o início de sua carreira
QUEM CONTRATOU ESSE MOLEQUE?
Renato Leiva é um groomer e empresário bastante conhecido e reconhecido no mundo do grooming brasileiro atual. Porém, em sua carreira, já passou por alguns apuros. Este, que compartilhou conosco, se passou bem no início, quando ele foi fazer uma entrevista de emprego e lhe perguntaram se tinha experiência com tosas de todos os tipos, incluindo tesoura. “Eu respondi que sim, porém eu só sabia raspar e fazer acabamento das patas. Na primeira semana já agendaram uma tosa na tesoura e, na época, nem existiam adaptadores de aço como hoje. Eu cortava os pelos do cachorro igual cabelo, segurando com dedos. Após quase 3 horas tentando fazer a tosa, suando frio e quase passando mal, a veterinária ficou com pena de mim, entrou para me ajudar e fez um acabamento rápido. Os funcionários do pet olhavam eu tosando e faziam uma expressão do tipo: quem contratou esse moleque?”.
Por Samia Malas



