Brasileiro de Ornitologia em Itatiba fecha evento com 9,5 mil aves

Canário de porte Pívaro foi reconhecido como nova raça na 69ª edição do CBO – Foto: @Lemo

Campeonato também faz história ao transmitir imagens aos criadores de todo o país pelas redes sociais

Entre os dias 16 e 23 de julho, aconteceu a 69ª edição do Campeonato Brasileiro de Ornitologia (CBO), realizado pela Federação Ornitológica do Brasil (FOB), reunindo 9.500 aves criadas em ambiente doméstico por 671 criadores concorrentes. O torneio teve a inscrição de 117 clubes, todos eles filiados à Federação. Esta edição marcou história por ser a primeira a ter os julgamentos das aves transmitidos ao vivo, por meio das redes sociais (canal da FOB Brasil no Youtube e no Facebook – conteúdo ainda disponível). A exibição de imagens, em tempo real, foi uma alternativa para a proibição de público devido às medidas de contenção sanitárias em meio à pandemia do novo coronavírus. Para a segurança de todos, o acesso ao Centro de Eventos Luiz Fernando Fachini Beraldi, em Itatiba-SP, onde aconteceu o campeonato, foi restrito a representantes de clubes participantes, diretores da instituição, juízes da Ordem Brasileira dos Juízes de Ornitologia (OBJO) e pessoal de apoio, e se comprometeu a adotar todas as orientações técnicas de saúde e controle para o combate da pandemia.

O presidente da FOB, Mário Henrique Simões, comemora a realização do Brasileiro, principalmente diante das incertezas que a Federação viveu no início do ano enquanto planejava o evento. “O Campeonato Brasileiro superou nossas expectativas. Com a pandemia ainda em alta no início do ano, tínhamos o receio de não poder realizar o evento pelo segundo ano consecutivo e mobilizamos diversos grupos de trabalho para buscar uma solução que viabilizasse o campeonato. Conseguimos as autorizações devidas, mas sabíamos que a realização estava condicionada à situação da pandemia no momento do campeonato e que o mesmo poderia ser cancelado”, explicou. Ainda segundo ele, os desafios da pandemia foram superados. “Mesmo com tantas restrições e limitações, a administração do campeonato como um todo se tornou ainda mais complexa e exigiu muita dedicação de todos os envolvidos. Contamos, é claro, com o fundamental apoio dos clubes e dos criadores que ‘compraram’ a ideia de participar do Campeonato”, finalizou.

Novo Canário

Além da transmissão ao vivo, houve outro destaque no evento: a aprovação do canário de porte Pívaro, que foi definitivamente reconhecido como nova raça, pois cumpriu o ritual de três passagens em julgamento com obtenção de nota mínima para reconhecimento. O nome da ave faz homenagem ao seu desenvolvedor, o criador Marcelo Pívaro, que no começo dos anos 2000 iniciou sua busca por alternativas que melhorassem o topete de seus canários Glosters, em Londrina, interior do Paraná. Assim, ele iniciou com cruzamentos com os Cresteds. Os canários começaram a apresentar características interraciais e foram trabalhados nos anos seguintes, permitindo a fixação de várias peculiaridades. O criador foi então orientado para que fosse iniciado um trabalho voltado à seleção e fixação das características buscando alcançar o que denominaram como sendo um mini-Crested. Nascia, então, um projeto para o desenvolvimento do Pívaro.

O diretor de canários de Porte, Antonio Carlos Lemo, explica quais são as características peculiares que tornaram a raça diferente daquelas utilizadas no cruzamento. “Possuem um topete grande com, no mínimo, 3 cm de diâmetro, perfeitamente redondo com ponto central, de onde irradiam simetricamente penas longas, largas, sedosas e abundantes que cobrem os olhos e o bico, assentando-se perfeitamente na nuca; cabeça grande e larga com a fronte plana, quase a 90° em relação ao topo com bico proporcional, pescoço curto e grosso; o tamanho pode variar entre 14 cm a 15,5 cm, sendo o ideal 15 cm; peito bem largo, redondo e cheio, sem frisuras; dorso largo e quase plano; a plumagem sem frisos, sedosa, brilhante, abundante e longa, aderente ao corpo, exceto nos flancos; todas as cores são admitidas, inclusive pássaros carotenados; posição com 60º com a horizontal podendo chegar a 70º os pássaros com topete; cauda alinhada ao dorso, fechada, proporcional; pernas ligeiramente fletidas com coxas encobertas, canelas curtas. Pássaro com pena de galo e filoplumas (cabelinhos) na nuca serão mais valorizados”, destacou. 

Números do brasileiro

A edição do Brasileiro recebeu a inscrição de mais de 9.500 aves: 5.479 são canários de cor; 2.762 são de porte; 154 de canários de canto; 265 são agapornis; 607 de exóticos; 17 inscritos são periquitos ondulados australianos; e 261 psitacídeos.

Foram 117 clubes competindo: 86 no segmento de canários de cor; 13 em canto; 77 em porte; 8 em agapornis; 14 em exóticos; 1 em periquitos ondulados australianos; 6 de psitacídeos.

Melhores da exposição

Como sempre, vários Best in Show (BIS) foram eleitos no campeonato. Em canários de Porte foi escolhida um BIS por raça e em Canários de Cor, foi escolhido um BIS por categoria. A seguir, veja alguns dos destaques apontados por juízes da OBJO:

 

1- Agaporni Roseicollis Cara Vermelha-Verde, Best in Show do segmento de agapornis, de Gustavo B. De Miranda
2 -Periquito Barraband, Best in Show do segmento psitacídeos, de Anibal Schmidt Rolim
3- Manon Negro-Cinza, Best in Show do segmento exótico, do criador Ademir München
4- Canário Urucum Rubino Nevado, Best in Show da categoria canários de cor, do criador Carlos Alberto Policaro
5- Canário Frisado Suíço Amarelo Nevado Pintado Lipocrômico, BIS canário de porte, do criador Leonardo Augusto de Barros Chiuzuli  – Fotos: Arquivo da FOB


Por: Samia Malas

 

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